Relato: Problema na bomba d’água dos motores GM

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Recentemente saiu em revistas e na internet que o Celta a partir de 2008 tem um problema de vazamento pela bomba d’água, que passou a ser feita a base de plástico nesse ano. Tendo um deste, que baixava 1cm do nível do reservatório do radiador quase toda semana, achei que fosse normal. Fato esse confirmado e também considerado normal por vários membros do Celta Clube.

Pois bem, voltando de São Paulo (quando cobri a Indy), notei que a temperatura do motor estava um pouco acima do normal, pouco tempo depois que o liguei. Imediatamente encostei vi que o reservatório estava vazio. Justo ele, que foi completado dois dias antes. Por sorte, um senhor de uma lanchonete providenciou uma garrafa d’água e foram mais de 3 litros até chegar no nível. Ao olhar por baixo do carro, vi que vazava água do lado esquerdo do motor, logo embaixo da polia. Era a bendita bomba d’água.

Comprei duas garrafas d’água e segui viagem, parando sempre que pudesse e completando o nível. Chegando em casa, pesquisei sobre o assunto e vi que este problema ocorre com praticamente todos os Chevrolet com motores família I e II, ou seja, com exceção do Chevette e Opala 2.5, todos os Chevrolet 4 cilindros a gasolina e álcool de 1982 até hoje.

Como o problema ocorre

A causa principal de problemas com bomba d’água é a falta de aditivo no sistema e o uso de água não desmineralizada no mesmo. Foi o meu caso. O uso de água comum (mineral ou ‘da torneira’) provoca corrosão do sistema de arrefecimento, podendo até dissolver parte da junta do bloco e invadir a câmara de combustão, como podemos ver no vídeo abaixo:

Além de proteger o motor contra corrosão, o aditivo aumenta o ponto de ebulição da água, evita o congelamento da mesma e também lubrifica a bomba d’água e todo o sistema de arrefecimento.

No caso da bomba d’água do Celta (e de todos os motores Família I e II da GM), ela é dividida em duas partes, como podemos ver na figura abaixo (feita com a bomba antiga)

Entre a parte onde circula água e a que possui óleo, há um retentor de borracha que resseca e estoura, fazendo com que a água invada a outra parte e se misture com a graxa/lubrificante do rolamento da polia, podendo dissolvê-lo e causar um travamento do mesmo. Para isso existe dois furos chamados (pelos mecânicos que conversei) de “janela para diagnóstico”, uma forma de detectar mais facilmente onde é problema, já que o mesmo fica manchado com a cor da água.

detalhe por onde vazava a água

O proprietário perceberá uma poça d’água embaixo do carro e o nível baixando com rapidez. Consultando o manual de reparações, encontrei a informação que em mais de 90% dos casos de vazamento em garantia, este era solucionado com a troca do “anel vedador da bomba d’água”. Um anelzinho de borracha que só encontrei na concessionária, a R$20. Porém na maioria dos casos em Celtas mais rodados, o vazamento é na bomba d’água.

O vazamento é causado “somente” pelas novas bombas terem o corpo de plástico? Creio que não. É um problema que acontece mesmo com as bombas de ferro, conforme pude ver em fóruns de outros modelos, como o Monza e Vectra.

“Corsa e Celta: Todos exceto VHC” mas que é a mesma coisa. Han?

Não é barro. É o tanto de água com ferrugem que vazou!

Achei que nunca encontraria a peça certa. A recomendação geral era de que eu procurasse uma que fosse toda em ferro, porém este foi o menor de meus problemas: Existem duas bombas, uma para Corsa e Celta 1.0, 1.4 e 1.6 e outra pros 1.0 VHC e 1.4 Econoflex. Todas as bombas que os vendedores diziam ser pro VHC, na verdade, não eram. Isso causou algumas discussões, que apesar de estar na embalagem “exceto VHC”, os vendedores diziam servir direitinho e que até hoje não tiveram uma devolução sequer. Não acreditei, afinal, se havia dois códigos diferentes e a indicação “exceto VHC”, alguma coisa devia ter de diferente para que ela não funcionasse.

Mas não encontrei nenhuma pro VHC que fosse inteiramente de ferro, nem na concessionária. Acabei comprando uma das “exceto VHC” em ferro para arriscar e comparando com a que estava no carro (original de fábrica), tanto o visual quanto as medidas conferiam.

Fica aí a dica: Caso não encontre uma pro VHC, pode usar a que “não serve”. Além de ser muito mais fácil de ser encontrada, é bem mais barata. Caso vá trocar a sua, aproveite também para substituir a correia dentada e verificar o estado dos tensores e demais rolamentos. Não vai custar nada a mais de mão de obra e lhe dará tranquilidade adicional para rodar com seu veículo.

E por favor, não ignore o uso de aditivo e água desmineralizada (é encontrada em químicas e farmácias de manipulação, a R$2 o litro em média) pois a desatenção a este detalhe pode custar caro!