Cinco conceitos bestas sobre carros

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Vira e mexe vejo muita gente criticando nosso mercado, que carro aqui é muito caro, que os modelos que temos são antiquados, etc… Mas creio que falta pensar de outra forma sobre isso. Veremos alguns exemplos:

1-“Carro aqui é muito caro”

Já dizia num livro de marketing que não lembro o nome “Preço é o maior valor a que o consumidor está disposto a pagar num produto”, algo assim. É a lei do mercado: Se você fabrica algo e pode vender ele num preço bem alto e faturar muito, porque você jogaria o preço lá embaixo? Poderia causar um desequilíbrio entre oferta e procura e talvez tivesse que aumentar o preço de qualquer maneira, pela produção não acompanhar a demanda.

2-“Carro 1000 não anda”

Não são um primor de desempenho mas hoje em dia eles atendem muita gente, não é aquela lentidão desesperadora de antes. Brasileiro tem preguiça de trocar marcha e acha que “carro bom é o que sobe esse morro de terceira”, mas não para pra pensar na relação de marchas, peso do veículo e tudo o mais. Outro dia vi um cara ficar surpreso ao saber que dá pra andar a mais de 130~140Km/h num 1.0, sem muita dificuldade. Se a pessoa não tiver medo de acelerar e passar dos 3000rpm, dá pra andar sem aperto, até mesmo na estrada. Problema é que se usa popular pra tudo aqui no Brasil e tem gente que acha que um motor 1.0 deve subir uma serra de 5ª a 120Km/h com 5 pessoas a bordo e carga. Pô, quebra o galho né? Por mais que tenha melhorado, certas situações são complicadas até mesmo pra motores maiores…

3-“Ah, eu só ando na cidade então não preciso fazer isso…”

É assim que a maioria das pessoas esculhambam seus carros. Relaxam na manutenção, botam pneus de procedência duvidosa, deixam de trocar óleo na hora certa… E depois a marca que é ruim pelo óleo de R$10,00 o litro não ter durado 30 mil km. É na cidade que o uso é severo, o motor anda sempre em altas temperaturas, com vários componentes sem o devido arrefecimento. Mesmo assim acham que entendem mais que engenheiros de montadoras e vão deixando o carro acabar.

4-“Usa a mesma plataforma do modelo antigo”

Há uma “necessidade” inacreditável por plataformas novas, fomentada pela imprensa especializada. Canso de ler em comentários “a plataforma desse é nova, é melhor”, ou então “é a mesma coisa”… Plataforma é importante, influencia em muita coisa, mas não define tudo. Ande num Gol quadrado e depois no bolinha e me diga se “é a mesma coisa”. É claro que não. Muitas vezes a plataforma é boa e atende as necessidades do público por anos e anos. O que realmente define o comportamento dinâmico, espaço e segurança são outros fatores.

Um bom exemplo disso é o Peugeot 206 e o Citroën C3: Ambos são da mesma plataforma, mas o comportamento de um é muito diferente do outro. Tem gente que não consegue acreditar quando comento isso, tamanha a diferença na prática.

Pra quem exige uma plataforma nova sem pensar sobre a necessidade de mudança, dá vontade de oferecer um modelo, com mesmo visual e motorização numa plataforma antiga e em outra, mais nova com algumas melhorias aqui e ali, mas que vai custar R$2 a 3 mil a mais. Será que trocaria mesmo?

5-“Não se investe em segurança nos carros daqui.”

Por anos a Renault ofereceu airbag duplo de série no Clio. Ela mesma afirmou que muitos perguntavam sobre desconto caso “não quisessem” o item. Brasileiro prioriza um jogo de rodas e um kit aerodinâmico ao invés de um ABS e airbag, é da natureza do ser humano priorizar coisas pra se mostrar. Achamos que acidentes avisam quando vão acontecer. Alguns modelos deixaram de oferecer airbag, como o Corsa Classic porque a demanda era mínima e esta opção se tornava onerosa para a própria fábrica em termos de produtividade. A culpa é nossa, acima de tudo. Temos opção, se não investimos não é culpa das montadoras, somente. É uma questão de mentalidade.

E você? Se lembra de mais algum conceito besta?