Carro para toda vida (Parte 1)

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Muitos desde cedo são apaixonados por carros. Sempre há os modelos e marcas que com ou sem motivos específicos, se destacam em nossa mente.  Uma dessas marcas, para mim, é a Mercedes-Benz. Durante minha infância, parava tudo que estava fazendo quando passava uma estrela na rua. Mas nunca pude conhecer mesmo uma, era algo um tanto distante.

Meados de 1998, estava a caminho de Campinas para o casamento de uma prima. Chegando lá, na garagem do pai da noiva (e meu padrinho), estava uma linda Mercedes branca. Era diferente de todas que eu havia visto, principalmente pelo tamanho. Meu padrinho acabara de comprá-la para realizar um sonho de longa data e também para transportar a noiva até a igreja.

Era uma 280 S 1985. Classe S, W126 (como a Mercedes nomeia essa geração), motor M110 2.8 (6 cilindros em linha, duplo comando de válvulas, 156cv @ 5500rpm e 22,7Kgfm de torque @ 4000rpm, carburador Pierburg 4A1 quadrijet), câmbio manual e interior em tecido. Combinação um tanto estranha pra um modelo topo de linha, mas ela havia sido importada através do consulado da Bélgica, e era comum órgãos diplomáticos importarem carros de luxo em configurações incomuns. Já vi outras Mercedes com vidros a manivela e sem ar condicionado, e ao mesmo tempo com teto solar e aquecimento de bancos, por exemplo.

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O tal interior em tecido azul, raro entre as W126. Mais comuns são os em veludo, MB Tex e couro.

É claro que fiquei louco pra andar nela, e em resumo, era outro mundo. Até então o carro mais sofisticado que tinha andado era um Omega 3.0 Diamond (que fazia companhia a Mercedes na época) e mesmo assim aos 8 anos de idade fui tomado pelo “vírus mercedal”, e disse pra mim mesmo que um dia teria uma Mercedes assim.

Os anos se passaram, sempre que pesquisava sobre Mercedes ou falava sobre isso, lembrava dela e de como os passeios naquele carro foram a melhor experiência automobilística que eu tive até então. Quando fiz 18 anos, ela foi posta a venda. Fiquei louco na época, mas não tinha dinheiro nem pra comprá-la, o que dizer de manter um carro desse pra uso diário? Respirei fundo, engoli seco e encarei um Celta, meu primeiro carro e que até hoje está na família.

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A evolução da Classe S até a W126

Alguns anos depois, estava em busca de um segundo carro, pra “mimar” e curtir aos finais de semana. Estava em dúvida entre uma BMW 328i manual e uma C230 Kompressor também manual, só que esta última estava quase impossível de se encontrar. Eis que o Thiago, um amigo que trabalha com venda de carros disse “e aquela Mercedes do seu padrinho?”

Como não tinha pensado nisso antes?! Talvez pela frustração de não ter condição de comprá-la antes e pelo tempo que se passou, achei que tinha sido vendida… Liguei pra ele e ouvi um “ela ainda está comigo.” Pensei que ele desistiu de vendê-la, mas na verdade sempre apareceram interessados, mas no fim ele sempre dava um jeito de desfazer a negociação. No fundo, ele não queria vender o carro. Mas após um bom tempo no telefone, negócio fechado. “Como assim, você nem vai ver o carro?”. Pois é. Depositei o valor dela e peguei um ônibus para Campinas, umas 10 horas de viagem que mais pareceram 20, tamanha a ansiedade de ver o carro.

Chegando lá, um certo choque de realidade:

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Retrovisor do carona torto igual orelhinha de vira-lata…

Os 15 anos que se passaram em uso constante cobraram seu preço: Ela estava com a grade dianteira amassada (por conta do engate de uma caminhonete em um estacionamento) , um dos retrovisores foi arrematado por um motoboy e as lanternas além de amareladas estavam também com trincas e infiltração.

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As extremidades da placa foram roídas por um dos cachorros da casa…

“Isso é o de menos”, pensei. O que importa é a mecânica… E isso ficará para a segunda parte 😉

Foto de abertura: IMCDd (animação Assenburu insâto)

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