O Jac J3 é uma boa opção?

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O Jac J3 é uma boa opção? Para responder a essa pergunta,  testamos um J3 hatch (O sedã atende pelo nome de J3 Turin) por 8 dias e rodamos cerca de 700km. Embora o carro tenha alguns defeitos, é claro, o carro apresenta qualidades que, em sua faixa de preço, são páreo duro para a concorrência.

E eu testei comparando com meu carro anterior, que por acaso está sendo vendido com os mesmos opcionais por exatamente o mesmo preço do J3 – 37.900, o Ford Fiesta 1.6 – O J3 tem algumas vantagens, a começar pelo tecido dos bancos, de um veludo de qualidade superior (que lembra os Chevrolet de antigamente, como pode ser visto nas fotos abaixo), e o consumo, bem mais baixo do que o do modelo da montadora americana. Outra vantagem é o volante bem mais leve, deixando o carro ágil no trânsito (aliado ao sensor de estacionamento então, é fantástico para manobras), e a altura do carro, evitando raspar em lobadas e valetas (o Fiesta, no meu dia-a-dia, raspava MUITO)

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Ok, a primeira foto é a do release, pois as fotos não ficaram tão boas assim 😉

O que precisa melhorar?

Bem… Veja a foto abaixo. Olhando com tempo de sobra, dá para ver que o conta giros está pouco abaixo de 4 mil giros e o velocímetro em 120km/h… Agora.. olhando de relance, podemos ter a falsa impressão de que o carro está a menos de 100km/h – o conta-giros “dentro” do velocímetro é bonito, mas confunde e dificulta a leitura rápida. A iluminação, sempre ligada, é muito forte a noite – e não tem uma luz que mostra se os faróis estão ligados – a luz que informa isso está no botão de acionamento, do lado esquerdo, longe da visão do motorista. São pequenos detalhes, fáceis de consertar.

Outro probleminha chato é o porta-malas. O tamanho é razoável, porém falta iluminação – presente no Fiesta, fácil de resolver, mas o grande problema é que, para carregar, tem que se levantar muito a carga em relação ao chão, e isso não é simples de resolver pois é algo estrutural – tem que mudar a lataria do carro. Ou seja, só em uma próxima versão. Esse é o mesmo problema do Gol G5.

É, as fotos não ficaram tão boas 😉

Abaixo, a única parte do desenho do J3 que não me agrada – o logo J3, parecendo inspirado em algo dos anos 50/60. O resto do desenho do carro é realmente bonito – desenhado na Itália, mais precisamente em Turim, onde a Jac mantém um centro de Design. Aliás, daí vem o nome do sedã (Turin)

Belas rodas aro 15.

A iluminação do painel a noite é um tanto forte, e por vezes incomoda, e não dá para regular.

Outro problema é o rádio – embora seja de boa qualidade para um rádio original, aquele cabinho para ligar o USB atrapalha – uma entrada direto no rádio ou o cabo saindo em outro lugar, como no porta-luvas como no Fiesta seria ideal. Mas isso é fácil de resolver e não é algo que impeça a compra.

Dá para perceber a qualidade do tecido dos bancos (nas fotos, o carro mostrado no evento Inside JAC, no começo do ano, o carro testado tinha bancos em couro, vendido nas revendas como único opcional)

O acabamento do painel tem algumas rebarbas, e a manopla do câmbio é um pouco áspera, mas nada diferente dos carros da mesma faixa de preço fabricados no Brasil. Quando se fala de carros chineses, tende-se a procurar defeitos de acabamento, mas, fazendo-se uma comparação direta, caem-se os preconceitos e descobre-se que dá para produzir coisas boas na china. Afinal, o iPhone, o telefone mais desejado e festejado, é fabricado na china. Ah, o iPad também.

Motor 1.4 (na verdade 1.33) com 108cv, só consome gasolina – consumo médio de 12.5km/l, sem dó do acelerador. O carro se mostrou ágil – não tanto quanto o Fiesta, que tem 8 válvulas e é mais esperto, mas o J3 é bem divertido no trânsito e não negou fogo na estrada, passando facilmente do limite de velocidade. A suspensão, no entanto, é um pouco alta, ótimo para ruas esburacadas, valetas e lombadas, transmitiu a sensação de flutuação na estrada. Os freios, dotados de ABS e EBD, funcionaram perfeitamente – forcei uma freada em curva, com pista molhada, o carro parou sem perder a trajetória – realmente ótimo. Sem ABS(que impede o travamento) e o EBD (que distribui a força da frenagem nas rodas) teria perdido o controle.

Uma critica que todos fizeram, e eu vou fazer (e já foi consertada no J6) – o controle do retrovisor elétrico é invertido (quando se aperta para baixo, o espelho move-se para cima). Questão de costume. Mas que vai ser resolvido (de acordo com a JAC)

Abaixo, o J3 branco, realmente bonito.

Resumindo – o J3 é o primeiro carro chinês que foi “abrasileirado”, e não somente tropicalizado – a troca de diversos itens para agradar o gosto do consumidor brasileiro surtiu efeito – fugindo do erro cometido por outras montadoras chinesas, que trouxeram produtos de pior qualidade e que tiveram pouca aceitação. As mudanças, além de tecido e espuma dos bancos, limpador de para-brisas, tamanho das rodas, passa até pela calibragem da injeção eletrônica para deixar o carro mais esperto – e ao gosto do brasileiro, 20kg a mais de material fonoabsorvente para o carro ficar menos barulhento e até o painel, que ganhou novo formato e acabamento.  Agora é ver J3 com 1 ano de uso como se comporta!

A resposta? Sim, o J3 é uma boa opção. Por que? além do exposto acima, tem 6 anos de garantia. Eu não compraria um carro hoje em dia com 1 ano de garantia, sendo que grandes montadoras vendem alguns com 3 anos, como o Clio. Agora com 6 anos… é ficar sem dor de cabeça por muito tempo.