Hyundai – O que há por trás do belo design

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Fomos convidados pela Hyundai a participar do Discover Hyundai Forum, que reuniu blogueiros de vários países na Coréia do Sul, onde a marca é baseada, e mostrou o que há por trás dos carros “bonitinhos” que rodam por aí.  E acredite, é MUITO mais do que design. Começa com minério de ferro, brasileiro em grande parte.  Sim, minério de ferro brasileiro – clique aqui para ler mais

A Hyundai Motor Company é um conglomerado muito maior do que a operação brasileira da Hyundai parece. Esqueça a importadora, pense somente na fabricante, com fábrica no interior de São Paulo. São produtores de aço – sim, do próprio aço que usam no carro,  daí o uso de minério de ferro brasileiro – constroem navios, tratores, peças para os carros, são donos da Kia Motors e tem a maior planta de manufatura de carros do mundo, produzindo 1.6 milhões de carros por ano. Nesta reportagem, vamos focar no lema da Hyundai Hysco, a empresa que produz o aço usado nos carros da marca: De minério de ferro ao carro pronto. Ah, eles e a Tata, da Índia, são os únicos que produzem o aço usado nos próprios carros que produzem. Isso se traduz em melhores materiais e custo mais baixo.

Começa com a Hyundai Steel – uma produtora de aço, que produz chapas de aço a partir de minério de ferro, em sua maior parte brasileiro (e muito minério australiano também). O minério é armazenado em 7 imensos domos, do tamanho de estádios de futebol.   A fabrica de aço tem sua própria usina de energia, movida a gás – o derretimento do minério se dá por eletricidade, produzindo menos poluição do que o tradicional método de queima de carvão mineral. Sim, eles importam minério do Brasil – considerado o de melhor qualidade no mundo – e mandam para cá o rolo de chapa de aço pronto, é mais barato e melhor do que comprar de algum produtor nacional.

O ferro então, após derretido junto com muita sucata de aço e ferro, é moldado em blocos de aço, que são resfriados e prensados em imensos maquinários, que “esticam” e resfriam um bloco fumegante de cerca de 4m de comprimento, 1.50 de largura e 15cm de altura em uma chapa imensa de uns 60-70m e 1 ou 2 cm de altura. Nesse estágio, serve somente para a produção de maquinário pesado como navios, que exigem uma chapa dessa espessura.

A temperatura original do bloco é tão alta,  que assistindo a mais de 20m de distância (e a 10m de altura), sentíamos o forte calor, impossível de se aguentar mais perto sem roupas de proteção. Essa operação é totalmente automatizada, como pode ser visto na foto abaixo.

Depois as chapas são enroladas e enviadas para a Hyundai Hysco, que faz o tratamento do metal até a espessura para uso nos veículos, apenas alguns milímetros, e faz o tratamento para que o metal tenha maior rigidez, resistência a impactos e a corrosão.

Aquele pequeno pedaço de metal fumegante se torna, então, um rolo com centenas de metros de aço de alta qualidade, pronto para produção de um veículo Hyundai em qualquer parte do mundo. Produzindo seu próprio aço, a Hyundai ganha uma vantagem competitiva – tanto em preço, controle de qualidade e agilidade na produção, quanto em design – pode se pedir um tipo de metal específico para um novo modelo de carro, com espessura, dureza e características diferentes para cada carro. O processo é incrível – são maquinários imensos, com cerca de 30m de altura, onde o metal passa por vários tratamentos diferentes até ganhar as características desejadas.

Saíndo da produção de metal, entramos na fábrica – a estamparia, que pega a chapa de metal e transforma em uma peça do carro, é feita com diversas prensas, todas automatizadas – cortam, movem a peça de prensa para outra prensa até a peça ganhar a forma final. A prensagem em diversas etapas é necessária para os formatos de cada peça – uma grande chapa de metal é recortada e prensada diversas vezes, o que garante o formato e a resistência necessários para um carro. A chapa em si é “mole”, mas a peça é rígida e pode resistir a severos impactos, protegendo os ocupantes. Daí a boa pontuação do Hyundai HB20 fabricado no Brasil – além de desenvolvido na Coréia, o aço também vem de lá.

Depois da estamparia, a montagem da lataria do veículo, processo quase todo automatizado (os trabalhadores somente carregam as máquinas), e depois a solda. A qualidade da montagem é nítida no carro terminado.

Claro que em parte da montagem, o trabalho é manual, como em todas as montadoras.

O carro, depois de pronto, passa por um teste de rodagem, para ter certeza de que todas as partes estão bem montadas

A Hyundai cresceu nos últimos anos focando em qualidade – os carros estão bem melhores do que os mais antigos – quem não se lembra dos primeiros Hyundais  que desembarcaram aqui no Brasil? Não eram bons (nem bonitos), deram uma má fama aos carros coreanos, que perdurou por muito tempo, como a fama que os carros chineses tem hoje em dia. Hoje a realidade é outra – os carros coreanos são nitidamente de boa qualidade, como os japoneses (ou até melhores).

Abaixo, uma foto dos participantes – blogueiros de vários países estavam presentes na visita.

Uma das partes mais interessantes da visita – embora não pudéssemos tirar nenhuma foto – foi o Centro de Desenvolvimento da Hyundai. Abrigando mais de 10 mil engenheiros, é responsável pelo desenvolvimento dos veículos da Hyundai e da Kia. Claro, sem fotografias por conta de tudo que pudemos ver alí – nenhum carro foi guardado – todos que ainda não foram lançados e estão em desenvolvimentos estavam a plena vista, com alguma – ou nenhuma – proteção para esconder o desenho. O centro conta com mais de 60km de pistas de teste, como uma reta infinita e todos os tipos de piso – de um piso extremamente liso e que é molhado para o teste de aderência e frenagem, até o “pavimento belga”, que imita as ruas do país europeu, que são únicas no mundo – o acerto de suspensão para esse piso é muito específico, mas precisa ser feito junto com os outros, para o acerto completo da suspensão para qualquer tipo de pavimento.

Outra ótima visita foi ao Centro de Design, onde o premiado designer Casey Hyun (na foto abaixo, junto deste que vos escreve, de camiseta preta), nos deu uma aula de design e desenvolvimento dos modelos da marca – design esse responsável, além do aumento da qualidade, na popularização da marca ao redor do mundo. E convenhamos, os carros estão belíssimos.

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Na próxima página, confira outras dezenas de fotos da viagem, assim como um pouco da riquíssima cultura Coreana.

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