Quem não conhece alguém que deixa o pneu chegar “no arame” pra trocá-lo? Alguém que manda recauchutar, frisar e até vulcanizar pneu aro 13? Quem acha que pneu é tudo igual e sempre coloca o mais barato, sem se importar com nada além de preço? Todos conhecemos…

Desleixos a parte, sabemos como pode doer uma troca de pneus e normalmente Murphy faz com que isso sempre aconteça justo quando estamos mais apertados.

Pra muitos o assunto nem precisa de um post, basta trocar quando estiverem quase carecas, certo? Errado. Outras coisas podem condenar o pneu antes disso. Clique aqui para mais informações!

Desgaste desigual

De fora pode estar até ok, mas quando se olha com mais atenção...

Quando se nota uma parte do pneu mais gasta do que a outra, pode ser um sinal de problemas na direção e/ou suspensão do veículo, como veículo fora alinhamento, cambagem ou até mesmo roda empenada. A verdade é que pela maioria (quase totalidade) dos carros possuem cambagem negativa, o que inevitavelmente gasta os pneus mais “por dentro” que “por fora”, pra isso o rodízio é uma boa e deve ser feito entre 5 e 10 mil km.

Excesso ou falta de pressão

Uma coisa que a maioria esquece, deixa pra conferir só quando o frentista oferece (quando oferece) ou quando sente o carro realmente estranho. É uma das coisas mais fáceis que você pode fazer no seu veículo, é de graça e dá muita diferença no rodar e principalmente no consumo do veículo. Mas há limites pra isso. Cada fabricante faz inúmeros testes com seus veículos, e entre eles está a perfeita calibragem de suspensão e pressão de pneus, de forma a garantir boa aderência, sem comprometer o conforto e/ou a leveza da direção.

Foto: How Stuff Works

Geralmente esses valores ficam na última página do manual ou na parte interna da portinhola de combustível. Em alguns modelos essa informação fica numa plaqueta visível logo que se abre a porta do motorista. Você pode fazer experiências elevando ou diminuindo a pressão dos pneus, mas cuidado para não exagerar, senão você pode causar danos a suspensão ou em casos de baixa pressão, o que veremos logo a seguir.

Bolhas, cortes, etc

Devido a superfície lunar de nossas ruas, buracos são uma constante e os pneus são os primeiros a sentir isso. Em casos extremos pode ocorrer bolhas ou cortes no pneu, que mesmo pequenos ou recuperáveis a partir de uma vulcanização, tornam o pneu mais vulnerável e suscetível a possíveis explosões e nunca se sabem onde podem ocorrer. Reparos são para “quebrar o galho” até que você chegue a uma loja de pneus e o substitua. Em alguns casos (e dependendo do dano) você pode economizar ao deixar o pneu de estepe como principal e o danificado em seu lugar. Pelo menos você evita algum susto, sendo que o estepe talvez nunca seja usado e/ou se for, será para trajetos curtos e sabendo da fragilidade do mesmo, você não abusará do mesmo.

TWI

foto: Yokohama/divulgação

Se você observar, entre os sulcos do pneu há um pequenos ressaltos espalhados, que tem 1,6mm de altura. O TWI (Tire Wear Indicator) serve para indicar que quando o desgaste chegar a altura dele, é sinal de que os pneus já alcançaram a altura mínima de rodagem com segurança. Há muita gente que teima em rodar com o carro mesmo assim, seja por estar numa época de poucas chuvas ou por achar que só um pneu quase careca comprometeria seriamente sua segurança. Será mesmo? Veja o vídeo abaixo em que testa-se pneus novos (8mm de sulcos), “meia-vida” (4mm) e “fim de vida” (1,6mm) numa frenagem de emergência com ABS e veja a diferença que faz:

 E na hora de trocar, qual comprar?

O mercado hoje está repleto de novas marcas, tantas que até nos perdemos e nessa confusão podemos fazer maus negócios. Pra isso, nada melhor que consultar amigos e familiares por experiências sobre a marca e até mesmo o bom e velho Google. Você pode encontrar modelos bons e ruins mesmo de marcas consagradas. Não há uma marca que seja unanimidade em tudo, mas cada uma tem sua  marca registrada seja na dureza do composto, durabilidade (quilometragem) e resistência (impactos). Eu particularmente dou preferência a marcas que tenham representantes oficiais no país, para que em caso de algum problema, eu tenha a quem recorrer. E para que não ocorram problemas, pneus que tenham sido desenvolvidos para as condições de uso de nosso continente, que são muito diferentes que as da Europa e Ásia…

Remolds e reformados em geral…

“Pneu remold” nada mais é que um pneu construído a partir de carcaças e materiais de pneus usados. A principal qualidade deles é o preço, as vezes custam menos da metade de um pneu de marca consagrada. Mas será que essa economia vale a pena? Além do preço, devemos considerar que na maioria das vezes eles duram menos que um pneu novo e pelo processo de fabricação, requerem consideravelmente mais peso para o perfeito balanceamento. Há quem os use e aprove e há quem já passou maus bocados com eles. Há também os recauchutados, que são pneus que a carcaça é mantida, porém se instala uma nova banda de rodagem no mesmo, processo comum em caminhões e ônibus (até mesmo pneus de aviões são recauchutados) e representa uma economia considerável, mas muitos confundem isso com a ressulcagem/frisagem que é um redesenho dos sulcos sobre a banda de rodagem, porém isso só é possível em pneus com a inscrição “Ressulcável / Regroovable” em sua lateral, algo que nunca vi num pneu de carro comum, só de utilitários e caminhões. Não faça isso em pneus que não tenham sido projetados pra isso, pois não há garantia nenhuma de qualidade e/ou durabilidade do mesmo.

Mas lembre-se: Existem vários tipos de remolds e recauchutados, mas por melhor que sejam, você não terá a qualidade e confiabilidade garantida por um pneu novo, por mais simples que este último seja.

Pneu novo: Na frente ou atrás?

Se você está com dois pneus “em fim de carreira” e dois que ainda estão bons, deve achar que o melhor fica no eixo dianteiro, afinal é ali que há maior desgaste, e serão os pneus que terão o primeiro impacto com a água, certo? Errado. Veja o vídeo abaixo e entenda porquê pneus novos devem ir para o eixo traseiro, chegam a comparar lado-a-lado pneus novos na frente e atrás:

Já sei quais marcas são melhores, mas qual modelo é melhor?

Dependerá de seu uso e prioridades. Você dirige por uma região com poucas chuvas e busca um pneu que seja melhor no seco que no molhado? Quer um pneu de desempenho excepcional no molhado mesmo que isso custe um pouco da performance dele no seco? Quer um pneu silencioso? Pra andar bastante na terra e asfalto? Ou anda muito com seu veículo e quer um pneu que extraia o melhor consumo possível de seu veículo?Vejamos:

Pneus melhores para uso “no seco”

Geralmente são pneus com menos aberturas para escoamento de água, com maior contato com o solo. Geralmente são modelos topo de linha, para uso em veículos de alto desempenho, mas que durante chuvas requerem cuidado e/ou uma direção habilidosa, pois podem aquaplanar com maior facilidade. Um exemplo bem famoso é o Toyo R888, muito usado em trackdays e arrancadas.

Pneus para chuva

Um pneu com sulcos mais "fechados"

Nem sempre um pneu com desenho mais “agressivo” é melhor nesse quesito. Há pneus com grandes aberturas mas que na prática só servem para aumentar o ruído e causar forte vibração ao passar por poças de água. E também observe se há um bom espaço entre elas, pois um pneu com menos ‘aberturas’, porém maiores, podem escoar a água melhor que pneus com muitas e pouco espaço entre elas.

Um pneu com maior abertura entre os sulcos

Pneus mais silenciosos

Observe se há “linhas” em contato com o solo, quase lisas. Esta é uma característica que além de melhorar a acústica do pneu, ajuda um pouco a evitar o travamento da roda durante frenagens.

Pneus para carga

Se você carrega muito peso em sua picape pequena (Strada, Saveiro, Montana, Courier…), pode considerar o uso de um pneu “C”, letra que acompanha muitos modelos para carga, com maior resistência e capacidade de carga. Podemos identificá-los pelo seu desenho mais conservador e pela letra “C” logo após a medida, por exemplo 175/70R14C.

Pneu para uso misto

Se seu carro é tipo o Crossfox, Sandero Stepway ou Livina X-Gear e/ou você realmente dirige em estradas de chão com freqüência, um pneu para uso misto é uma boa. A maioria destes veículos saem com pneus para asfalto de fábrica e por mais aventureiros que o visual e suas características sejam, não há milagres: O pneu é o que entra em contato com o solo e é ele que faz a maior diferença ao controlar seu veículo num terreno sem pavimentação. Estes pneus buscam um meio termo entre asfalto e terra, sem comprometer muito o uso em nenhum dos dois, como também sem se destacar. É realmente pra quem usa bastante seu veículo tanto on quanto off-road.

Manutenção

De nada adianta investir uma grana boa em pneus se você só alinha a direção no momento da troca. Buracos e esbarrões em guias (meio-fio) ajudam a desalinhar a direção, fazendo com que as rodas percam o paralelismo e assim seu veículo começa a ter desgaste acentuado de pneus, canta pneu em curvas com facilidade e até mesmo aumenta o consumo. Faça o alinhamento de direção a cada 5mil Km junto do rodízio de pneus (passar os da frente para trás e vice-versa) para evitar desgaste prematuro dos pneus e manter um bom desempenho do mesmo. Balanceamento é recomendável sempre que se troca os pneus e/ou quando você sente vibrações em velocidades mais altas, acima dos 90 ou 100Km/h.

Conclusão

Pneus consistem o item de manutenção regular mais caro de um veículo, e sua importância acompanha o preço. São eles a única forma de contato de seu veículo com o solo, e uma falha deles pode causar um prejuízo muito maior que a “economia” ao pegar um pneu de procedência duvidosa ou de qualidade inferior. Um pneu que rasga, solta a banda ou explode pode significar sua vida, ainda mais se isso ocorrer numa curva ou numa pista de mão dupla. Já pensou nisso antes? Sua vida vale a diferença entre um pneu de qualidade e garantia e um pneu duvidoso?

Espero que não. E espero que este guia sirva de grande utilidade para você.

Imagem de  capa:  Muscle Car Legacy

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Comentários

  1. Divulga! Web! disse:

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    1. Eduardo Guterres disse:

      Excelente as informações obrigado valeu

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  3. Pereirinha disse:

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  6. Pereirinha disse:

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  7. Edi disse:

    Ótimo artigo.
    Muito bem feito e os vídeos bem escolhidos.
    Até mais