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IPI: Vilão e herói

Postado em Editorial, Sem categoria por Rafael Moreira - Comments

Somos o povo que paga mais caro para ter um carro, isso não é novidade. Todos nós já vimos alguma vez aquelas tabelas comparativas de preço com e sem impostos, entre o Brasil e outros países. Mas quando consideramos tudo, não dá pra afirmar com certeza se nossos carros são caros pelo imposto ou se o imposto é alto pelo “custo Brasil” ser elevado em primeiro lugar.

Ano passado, a venda de importados estava crescendo em ritmo acelerado, e modelos de marcas como Chery, Kia, JAC e Hyundai (só para citar algumas) estavam conquistando a preferência de quem antes só tinha como opção modelos fabricados por aqui. Esperávamos que com a concorrência os preços dos carros nacionais diminuiriam, e o que tivemos foi o famoso IPI de 30%, medida protecionista que está causando danos aos importadores e  a todos que dependem dos mesmos, direta e indiretamente.

Mesmo assim, não foi suficiente. As notícias eram de vendas insatisfatórias. Poderiam até ser maiores que em relação ao ano passado, mas ainda assim eram menos que o esperado. Além disso, devemos levar em consideração a restrição ao crédito, motivada pela inadimplência récorde em contratos de financiamentos de veículos. Antes, onde aprovava-se 7 em cada 10 fichas de financiamento, passou a se aprovar no máximo três. Some isso ao fim do financiamento sem entrada, onde os bancos passavam a exigir pelo menos 20% de entrada.

Tudo isso estava contribuindo para a queda nas vendas e as montadoras passaram a fazer pressão no governo, ameaçando entrar em férias coletivas. O governo, por sua vez respondeu no que está se tornando um instrumento padrão para lidar com crises e retrações de mercado: Reajustou o IPI.

E diferente de 2010, quando ocorreu o último reajuste, o governo cobrou o repasse para os consumidores das novas alíquotas, que reduziram os preços dos veículos na média de 10% – sem mencionar a queda ainda maior nos valores dos financiamentos, devido às menores taxas bancárias.

Mas será mesmo que isso será suficiente? As notícias até o momento informam uma melhora nas vendas, mas não o bastante. Um dos principais motivos é que apesar de muitos consumidores mostrarem-se animados a trocar de veículo, alguns modelos não tiveram muita alteração de preço, visto que antes estavam ofertados com descontos, retirados devido a baixa do IPI. Já outros reclamam da grande desvalorização dos usados, que com tantos incentivos para a compra de um novo, se tornaram ainda menos visados.

O IPI já salvou muitos setores, como também já prejudicou enormemente outros. Parece ser o instrumento de controle do governo sobre o mercado, mas já começa a dar sinais de que não é suficiente. Pagamos um absurdo de impostos, e o custo de vida se eleva mais que o poder de compra. Uma hora a conta não vai fechar, e talvez não haverá IPI que resolva a questão.

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Comentários

  1. Guilherme disse:

    Somos refens do nosso governo, o nosso ministro da economia, é um total nem noção!
    esses dias vi uma entrevista em que esse incompentente afirmou que a redução no IPI para produtos de linha branca ia acabar e que “essa era a ultima oportunidade de comprar uma geladeira”.
    Não tenho partido politico, acho que o PT assim como o PSDB deveriam ser extintos ( antes que alguem faça alguma comparação)
    Talvez, a grande quantidade de informação que esta sendo despejada nas redes sociais, sobre os absurdos a que somos submetidos, está surtindo efeito.
    O correto é tentar de qualquer forma parar o consumo, fazer com que de fato apenas reduzir o IPI não seja mais suficiente. E SÓ COMPRAR QUANDO ESSAS REDUÇÕES OCORREREM !