A máquina de lavar e a Kombi

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Esta semana minha mãe comprou uma máquina de lavar roupas nova. Não que a antiga não cumprisse o seu papel óbvio de lavar as roupas sujas e deixá-las limpas e quase prontas para serem usadas novamente. Fazia isso e até bem.
A pergunta então poderia ser: – Se a tal máquina funcionava tão bem, por que então troca-la por outra?
Acontece que a bendita máquina havia sido presente de casamento dos meus pais, que juntaram as escovas de dentes no dia 29 de dezembro de 1973 (Sic!). Então, como eu disse, apesar de tudo, a tal máquina cumpria o seu papel, mas gastava muito mais energia, vazava água e trepidava tanto na hora de centrifugar – coisa que qualquer dona de casa via entender o que significa – chegava, literalmente, a andar pela área de serviço do apartamento.
Depois de quase 40 anos, era hora de aposenta-la.

Agora, para entender o que uma máquina de lavar tem a ver com a Kombi – além de curtir uma super galeria de fotos – basta continuar lendo o texto.

Os primeiros desenhos

O conceito da Kombi começou a ser esboçado no final dos anos (19)40 pelo holandês Ben Pon mas só entrou em produção a partir de março de 1950. Era uma perua, ou Kombinationsfahrzeug (“veículo multi-uso” em uma tradução livre), baseada – acreditem se quiserem – no chassi do Fusca. Ela tinha um desenho reto, bem diferente do que conhecemos hoje em dia com seus cantos arredondados. Isso foi possível graças a estudos na Faculdade Técnica de Braunschweig que puderam dar ao veículo uma maior aerodinâmica.

Curiosamente não demorou muito para a novidade chegar ao Brasil. Já no mesmo ano ela seria vendida por aqui importada pela Brasmotor, marca do mesmo grupo da velha máquina de lavar da minha mãe: a Brastemp. De lá para cá as mudanças no design da perua foram relativamente poucas. Uma luz de freio aqui, um para-choque ali, uma grade de radiador acolá. Mas em uma época onde a segurança começa a tomar uma maior importância – principalmente depois da Lei 11910, sancionada em 2009 que obriga todos os carros comercializados no Brasil a terem airbags a partir de 2014 – qualquer senhora sabe que chega um pouco na vida em que não tem aplicação de botox ou cirurgia plástica que dê jeito. E o mesmo acontece com a Kombi. Não há como manter o mesmo design e atender as normas de segurança atuais e, a única resposta para este impasse é saída da linha de montagem de um verdadeiro ícone do automobilismo no país.

Como a máquina de lavar de minha mãe, a Kombi não sai de linha por que parou de funcionar. Sai de linha por que seu tempo chegou. E ele sempre chega. Não adianta sair trepidando por aí…

Entre 1957 e 1966 a Kombi 1200 vinha com um motor a gasolina traseiro refrigerado a ar com uma cilindrada de 1192 cm³ e 36 cavalos de força. Ela conseguia atingir uma velocidade máxima de 94 km/h. Até 1975 veio a Kombi 1500, já com uma cilindrada maior de 1,5, 52 cavalos de força e atingindo 100 km/h em 21 segundos. A Kombi Clipper que veio a partir de 1976 até 1996 tinha uma cilindrada de 1,6l, 58 cavalos de força, atingia 125 km/h e uma novidade interessante: A opção de um motor a álcool. Em 1997 seria a vez da Kombi Carat. Criada para competir com os novos utilitários coreanos que começavam a invadir o Brasil na época, ela chegou com um acabamento melhor e algumas melhorias no design como o teto mais alto e a porta lateral corrediça mas com o mesmo motor 1600, apesar da promessa de um novo refrigerado a ar, apresentado no salão do automóvel de 1996. Chegava a 100 por hora em 22,7 segundos na versão a gasolina e 19 segundos na versão a álcool. Além disso, conseguia atingir 120 Km/h na sua versão movida a gás natural. A partir de 2006 a perua receberia o motor Flex refrigerado a água. Com esta mudança a nova Kombi Carat teria como diferencial de design a grade na frente.

A Kombi teve algumas variações de modelos, entre eles, Standart, Luxo, Standart ‘exclusiva e rara’ com 6 portas, Furgão e Pick-Up (caçamba).

Outra característica importante da Kombi era que, graças a sua grande versatilidade e baixo custo de manutenção, apesar de desvalorizar, como qualquer outro carro normal no primeiro ano de uso, tal desvalorização era abaixo da média de mercado nos anos seguintes. A diferença de preços entre um mesmo modelo zero quilômetros e um 2006 é de cerca de 40% apenas. Uma perda relativamente pequena se compararmos com outros carros. Apesar de não ser uma opção barata, ela tinha em contra-partida a baixa depreciação do investimento.

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