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No jornal, o anúncio soa tentador: “BMW 325i 92 automática completa, AirBag, ABS, teto solar. 15 mil”. Um legítimo representante bávaro, com um excelente 6 cilindros, super completa no preço de um popular com alguns anos de uso. Nessas horas o coração bate de frente com a razão. Aquele modelo que até hoje é símbolo de requinte e esportividade, por um preço ridiculamente baixo. Mas o que a princípio parece ser um ótimo negócio logo pode se tornar um pesadelo. Ou não, a depender de umas coisas que veremos a seguir:

Freios muitas vezes são como o sistema de arrefecimento: Muita gente só lembra quando dão algum defeito. Fora disso, os esquecem, deixando pro frentista “dar uma olhada” (isso quando o fazem), o que é complicado. Já vi casos de fluído de freio que foi completado com óleo de motor, o que matou o sistema e em pouco tempo demandou a troca dele todo.
O funcionamento de um sistema de freios atual é de fácil entendimento, conforme podemos ver no vídeo abaixo: leia mais
Diria que são os componentes menos lembrados, e curiosamente, um dos mais importantes. Você lembra da última vez que trocou os filtros? De ar, óleo e gasolina? E do ar-condicionado? Muita gente nem sabe que seu carro tem filtro pra tudo isso, e inclusive já vi gente falando que “é frescura” e de que filtro é tudo igual. Pois não é.

Temos grandes jogos de simulação que permitem até que pilotos da vida real aprimorem sua pilotagem, porém mesmo que você gaste uma fortuna em vários monitores e joysticks, nada se compara ao simulador de 25 milhões de Euros que a Mercedes fez:

Recentemente saiu em revistas e na internet que o Celta a partir de 2008 tem um problema de vazamento pela bomba d’água, que passou a ser feita a base de plástico nesse ano. Tendo um deste, que baixava 1cm do nível do reservatório do radiador quase toda semana, achei que fosse normal. Fato esse confirmado e também considerado normal por vários membros do Celta Clube.
Pois bem, voltando de São Paulo (quando cobri a Indy), notei que a temperatura do motor estava um pouco acima do normal, pouco tempo depois que o liguei. Imediatamente encostei vi que o reservatório estava vazio. Justo ele, que foi completado dois dias antes. Por sorte, um senhor de uma lanchonete providenciou uma garrafa d’água e foram mais de 3 litros até chegar no nível. Ao olhar por baixo do carro, vi que vazava água do lado esquerdo do motor, logo embaixo da polia. Era a bendita bomba d’água. leia mais
A internet hora ou outra nos surpreende com seus achados. Nos últimos dias estão circulando fotos de Ayrton Senna com um Escort XR3 de uso pessoal, supostamente indo para o trabalho. Mas foi um momento bem mais nobre. Saiba mais clicando aqui. leia mais
Todos que gostam de carros tem seus favoritos, em 110% dos casos, esportivos. Em rodas de amigos, falamos com um certo orgulho como tal modelo é feito com esmero, como tal marca gastou ‘X’ tempo na aerodinâmica, acerto de suspensão, etc.
Mas na vida real muitos de nós andam num carro pequeno. Na maioria das vezes, um popular. E vivemos falando “ah 1.0 é essa m3#$@ mesmo”, ou então nos referimos com “essa porcaria”. E basta ver os comentários de qualquer post sobre um popular com xingamentos e críticas ao mesmo, na maioria das vezes, infundadas.
É claro que não existe carro perfeito, cada um tem seus prós e contras, mas sempre discordei do exagero com que algumas críticas são feitas. Assistindo a um comparativo antigo do Top Gear, o mestre Jeremy Clarkson diz:
“Desenvolver um carro pequeno é difícil: Tem que ser sóbrio pra agradar os mais velhos e moderno o suficiente para torcer pescoços por onde passa. Deve que ser pequeno para lidar com o trânsito urbano e grande para levar 4 pessoas. Tem que ser econômico e ao mesmo tempo potente para encarar estradas. E além de tudo tem que ser bem equipado. E barato.”
Essa frase me fez refletir sobre quão difícil e trabalhoso é desenvolver um bom carro pequeno. Tantos compromissos que invalidam outros, ao menos teoricamente. Os engenheiros ‘tiram leite de pedra’ diante de tantos desafios, e merecem muito respeito e admiração por alguns milagres que vemos por aí. Ou vai me dizer que é fácil acondicionar motor, espaço para cinco pessoas, porta objetos, porta malas, equipamentos e segurança em menos de 4 metros? E além disso, um design moderno e funcional com restrições de custo?
Num esportivo podemos abrir mão de diversas coisas em nome do desempenho, mas num compacto, um compromisso que abrimos mão pode significar muitas vendas perdidas. Por mais simples e pequeno que seja, tenha a certeza que seu carrinho não deixa de ser um carrão, o resultado de muito trabalho de engenharia, pesquisa e desenvolvimento. Muitas vezes maior que a de modelos de segmentos e/ou propostas diferentes e preço superior.
Pensando bem, fazer bons carros pequenos é um desafio e tanto, digno de gênios.






